
Os programas RYLA (Rotary Youth Leadership Awards), ou Prémios Rotários de Liderança Juvenil, afirmaram-se como uma das iniciativas mais consistentes do Rotary na formação de jovens líderes. Ao longo de vários dias, participantes de diferentes origens juntam-se para trabalhar competências que raramente se desenvolvem em contexto académico formal, como comunicação, tomada de decisão, trabalho em equipa e gestão de conflitos. O modelo é simples na forma e exigente no conteúdo.
Um RYLA reúne jovens, geralmente entre os 14 e os 30 anos, dependendo da organização de cada distrito, e coloca-os num ambiente intensivo de aprendizagem. O programa é promovido por clubes e distritos do Rotary, com enquadramento internacional, mas com liberdade suficiente para se adaptar às realidades locais. Essa flexibilidade permite que cada edição responda às necessidades concretas dos participantes e da comunidade.
A experiência começa antes do próprio evento. Os candidatos são identificados pelos clubes Rotary e Rotaract, escolas, universidades ou organizações locais. O processo de seleção valoriza o potencial de liderança, a vontade de aprender e a capacidade de se envolver com os outros. Muitos jovens chegam ao RYLA sem um percurso formal de liderança, mas com sinais claros de iniciativa e sentido de responsabilidade.
Durante o programa, os dias são preenchidos com sessões práticas, debates, dinâmicas de grupo e momentos de reflexão. O ambiente favorece a participação ativa. Cada jovem é chamado a expor ideias, a ouvir perspectivas diferentes e a ajustar o seu comportamento em função do grupo. A aprendizagem acontece no confronto com situações reais, ainda que simuladas, que exigem decisões rápidas e pensamento estruturado.
Os facilitadores desempenham um papel determinante. São rotários ou profissionais convidados, com experiência em liderança, formação ou áreas específicas relevantes para o programa. A sua função passa por orientar, desafiar e criar condições para que os participantes se descubram a si próprios. A relação entre facilitadores e jovens tende a ser próxima, marcada pela partilha de experiências e pela construção de confiança.
Os benefícios para os participantes tornam-se visíveis desde cedo. A melhoria na comunicação é uma das mudanças mais imediatas. Jovens que chegam reservados ganham confiança para falar em público e defender ideias. A capacidade de trabalhar em equipa evolui de forma clara, sobretudo quando confrontados com tarefas que exigem cooperação efetiva. Surge também uma maior consciência sobre o impacto das decisões individuais no grupo.
O RYLA cria ainda uma rede de contactos que se prolonga no tempo. Muitos participantes mantêm ligação entre si e com o Rotary, encontrando novas oportunidades de envolvimento. Alguns seguem para o Rotaract, outros aproximam-se dos clubes rotários como parceiros ou futuros membros. Este percurso reforça a continuidade do trabalho do Rotary junto das novas gerações, alinhado com a Avenida de Serviços à Juventude, que reconhece o papel dos jovens na construção de comunidades mais equilibradas.
A organização de um RYLA exige planeamento rigoroso. O distrito, em articulação com os clubes, define objetivos, escolhe o local, prepara o programa e assegura os recursos necessários. A segurança dos participantes é uma prioridade permanente. As normas do Rotary relacionadas com proteção de jovens devem ser seguidas com atenção, incluindo a verificação de antecedentes dos responsáveis, a definição de códigos de conduta e a existência de canais claros para reportar qualquer situação.
O financiamento pode resultar de várias fontes. Muitos clubes apoiam diretamente a participação de jovens das suas comunidades. Existem também parcerias com entidades locais, empresas ou instituições de ensino. Em alguns casos, os próprios participantes contribuem com uma parte do custo, o que reforça o compromisso com a experiência.
As regras de funcionamento são claras e conhecidas desde o início. Espera-se pontualidade, respeito mútuo e participação ativa. O ambiente é exigente, mas equilibrado. Existe espaço para momentos informais, que ajudam a consolidar relações e a criar um espírito de grupo forte. A convivência fora das sessões formais é, muitas vezes, onde se estabelecem ligações mais duradouras.
Após o término do RYLA, o acompanhamento dos participantes faz a diferença. Os clubes podem convidar os jovens a partilhar a sua experiência em reuniões, envolver-se em projetos ou colaborar em iniciativas locais. Este passo evita que a experiência se esgote no momento e permite transformar o entusiasmo em ação concreta.
Alguns distritos criaram redes de antigos participantes, promovendo encontros periódicos ou oportunidades de formação contínua. Esta continuidade reforça o impacto do programa e mantém os jovens ligados a uma comunidade de valores e prática. O Rotary ganha, assim, uma base de futuros líderes que conhecem a organização por dentro e compreendem o seu propósito.
O impacto do RYLA estende-se também às comunidades de origem dos participantes. Jovens mais preparados regressam com vontade de intervir, seja em contexto escolar, associativo ou profissional. As competências adquiridas refletem-se em iniciativas concretas, muitas vezes com apoio dos clubes rotários. Este efeito multiplicador justifica o investimento feito por cada distrito.A ligação ao Rotary International garante coerência e alinhamento com os princípios da organização. O ideal de servir, presente no Objetivo do Rotary, encontra aqui uma expressão prática. Jovens que passam pelo RYLA compreendem que liderança implica responsabilidade e ação orientada para o bem comum.
Os testemunhos de participantes revelam mudanças consistentes. Falam de maior clareza nos objetivos pessoais, de capacidade para gerir desafios e de uma nova forma de olhar para o papel que podem desempenhar na sociedade. Estas transformações resultam de uma experiência intensa, bem estruturada e acompanhada por pessoas que conhecem o valor do serviço.
Para os clubes rotários, o RYLA representa uma oportunidade concreta de ligação à comunidade. Permite identificar jovens com potencial, apoiar o seu crescimento e criar pontes entre gerações. A relação que se estabelece tende a ser duradoura e produtiva.
A preparação de cada edição deve incluir avaliação dos resultados. O feedback dos participantes, facilitadores e organizadores ajuda a ajustar o programa e a melhorar futuras iniciativas. Este processo contínuo de aprendizagem mantém o RYLA relevante e eficaz.
O sucesso de um RYLA mede-se pela qualidade da experiência e pelo percurso dos participantes depois do programa. Jovens que saem com vontade de agir, com ferramentas para o fazer e com uma rede de apoio sólida representam um ganho real para as suas comunidades.
O Rotary encontrou no RYLA uma forma concreta de investir no futuro. A aposta em liderança jovem traduz-se em impacto duradouro, visível nas pessoas e nas comunidades onde intervêm.
Algumas experiências contam-se em dias. Outras perduram pelo tempo. Nos RYLA, tudo se cruza. Um, dois ou três dias intensos bastam, para abrir caminhos que continuam muito para lá deste programa do Rotary International.
Em Santa Maria da Feira, entre 6 e 8 de março de 2026, o Rotary Club Douro e Vouga International, do Distrito 1970, voltou a reunir jovens de diferentes pontos do país. Chegaram sem se conhecerem, com percursos distintos e expectativas difusas. Saíram com uma consciência clara do que são capazes de fazer em conjunto.
Uma participante recorda o primeiro jantar, organizado como um “escape dinner”. À mesa, grupos formados ao acaso. Pouco tempo para se conhecerem, ainda menos para prepararem a resolução de enigmas. “Ninguém se conhecia e fomos colocados em grupos aleatórios”, conta. A pressão inicial deu lugar a algo diferente. À medida que os desafios avançavam, surgia uma dinâmica nova. “Fomos positivas, encorajámos umas às outras, divertimo-nos sempre.” O grupo acabou por vencer, mas o que ficou foi outra ideia de equipa. “É assim que, no meu futuro, pretendo trabalhar”, resume, já a projetar o que levou dali para a vida.
Outro participante fixa-se numa atividade de decisão em grupo. Sete ou oito pessoas, pouco tempo e informação dispersa. O início foi desordenado, com várias ideias a surgirem em simultâneo. A pressão do tempo obrigou a fazer escolhas rápidas. “Fomos obrigados a sair da nossa zona de conforto, a lidar com personalidades muito diferentes”, explica.
A mudança aconteceu quando começaram a ouvir-se de forma mais atenta. A solução final deixou de ser uma soma de opiniões para passar a ser um resultado construído em conjunto. “Percebi como a diversidade, que parecia um obstáculo, acabou por enriquecer completamente o resultado.”
Os testemunhos repetem uma ideia simples, expressa de formas diferentes. O RYLA cria situações que obrigam a agir, a decidir e a lidar com os outros sem filtros. A maioria dos participantes reconheceu que o programa superou as expectativas. Vários referiram o impacto imediato na confiança pessoal e na forma como encaram o trabalho em equipa. Muitos manifestaram vontade de continuar ligados ao Rotary, procurando conhecer melhor o Rotaract ou envolver-se em projetos.
Maria Eduarda Guerreiro, Duda, chegou ao RYLA com curiosidade. Trazia na memória a experiência de um Summer Camp Rotary, vivido meses antes, onde tinha descoberto um ambiente diferente, feito de partilha e sentido de comunidade.
Foi no RYLA que tudo se tornou mais claro. Entre sessões, conversas e desafios, encontrou um espaço onde as ideias deixavam de ser abstratas. “Foi apenas depois de participar no RYLA que confirmei a vontade que tinha em criar um Clube Rotaract”, conta. “Aprendi a ser uma pessoa mais resiliente, mais informada, mais vulnerável e mais tolerante.” As palavras descrevem um processo interior. No contacto com outros jovens e com os orientadores do programa, percebeu que havia caminho para dar sequência àquilo que começava ali.
O Rotary Club Estoi Palace International, do Distrito 1960, acompanhou esse percurso com atenção. O clube tem vindo a apostar na participação de jovens em programas internacionais e reconheceu na Duda um perfil que pedia continuidade. Vítor Rosão, presidente do clube, lê esse momento com pragmatismo: “Esta experiência é muito mais do que uma viagem enriquecedora; é um investimento estratégico no futuro da nossa organização.”
A aposta ganhou forma. O clube apoiou a participação da Duda no RYLA Algarve 2024-2025 e incentivou o contacto com jovens já envolvidos no Rotaract. A proximidade com essa realidade ajudou a transformar a intenção em projeto.
A proposta surgiu numa reunião de clube, a 20 de maio de 2025, com a presença do governador do Distrito 1960, Paulo Taveira de Sousa. Nas semanas seguintes, o grupo foi-se consolidando.
A 15 de julho de 2025, nascia o Rotaract Club Estoi Palace International. Duda assumiu a presidência do novo clube, rodeada por jovens que tinham passado por experiências semelhantes, em Summer Camps e eventos RYLA. A entrega da Carta Constitucional, a 26 de outubro, com o governador Jorge Lucas Coelho, marcou o início formal de um trabalho que já vinha a ser construído.
Ambos os clubes Rotary, aqui mencionados, viram nascer um clube Rotaract a partir de um RYLA, mostrando como o programa pode abrir novas oportunidades de serviço.