100 ANOS DO ROTARY EM PORTUGAL

O almoço de Madrid

A história do Rotary em Portugal inicia-se de forma quase casual, quando, em 1924, dois portugueses entram numa sala, em Madrid. Não imaginavam que ali teria início um projeto que os marcaria profundamente.

O engenheiro Ermete Pires e o seu amigo Curado Ribeiro foram convidados, por um conhecido comum, para um almoço no primeiro clube rotário da Europa continental, o Rotary Club de Madrid, fundado poucos anos antes. Ambos, habituados às grandes discussões económicas e sociais da capital portuguesa, encontraram ali algo diferente. Profissionais reunidos para pensar o bem comum, criar laços de confiança e usar as suas competências em benefício da comunidade. Ermete Pires dirá, mais tarde, que ali nasceu “o primeiro entusiasmo rotário em Portugal”.

De regresso a Lisboa, tomaram a decisão de agir e contactar empresários e líderes locais. Em janeiro de 1925, juntaram-se-lhes o comandante Boaventura Mendes de Almeida, o engenheiro Ernesto Santos Bastos e William Godfrey Thomas Pope, diretor britânico da Anglo-Portuguese Telephone Company, a Companhia dos Telefones. Reunidos, a 23 de janeiro, discutiram princípios, estatutos, utilidade social, ética profissional e o impacto que um clube rotário poderia ter na sua cidade. No final, a convicção foi unânime, era possível fundar um Rotary Club em Portugal e Lisboa seria o seu berço natural.

Seguiram-se meses de reuniões, troca de correspondência com Chicago e Madrid, estudo de normas e identificação de futuros membros. O Rotary Club de Madrid apadrinhou todo o processo, garantindo que o clube português nasceria alinhado com os elevados padrões internacionais.

Chegado o dia 16 de dezembro de 1925, o histórico Café Tavares, no Chiado, acolheu a reunião constituinte do futuro Rotary Clube de Lisboa. À mesa estavam nomes que entrariam para a história do Rotary em Portugal: Boaventura Mendes de Almeida, Mário Costa, Raul Ribeiro, Teixeira Soares, Robert James, Eduardo Luís Pinto Basto, Mário Tavares de Carvalho, R. G. Jayne, Beirão da Veiga, José Uno, S. C. Irving, Mário Chagas, Borges de Sousa, W. Stanley Hollis, Ermete Pires, Ernesto Santos Bastos, Azevedo Neves e William Godfrey Thomas Pope.

A reunião contou ainda com a presença institucional de James H. Roth, Representante Especial do Rotary para Espanha e Portugal, e Ferrez Puig, em representação do Rotary Club de Barcelona. Pela primeira vez, Lisboa sentia a presença formal da estrutura rotária mundial. Foram aprovados os estatutos provisórios, definidas quotas, regras de funcionamento e eleita a primeira Direção.

Nasce o Rotary Clube de Lisboa

No dia 23 de janeiro de 1926, chegava, de Chicago, o documento que selaria oficialmente o nascimento do clube, a Carta Constitucional do Rotary Clube de Lisboa. Os 23 fundadores passaram a integrar uma organização que já unia milhares de pessoas em centenas de cidades de todo o mundo.

A importância do momento ultrapassou a dimensão geográfica. O clube nasceu porque um grupo de pessoas acreditou que a amizade, a ética e o serviço podiam ser forças transformadoras num país que vivia tempos muito turbulentos.

Em 1926, Portugal vivia uma das maiores instabilidades políticas da sua história. A Primeira República, com 45 governos em apenas 16 anos, terminaria naquele ano com o golpe militar de 28 de maio. Seguiu-se um período que evoluiria para o Estado Novo, um regime autoritário, conservador e corporativo, marcado pela censura, vigilância política e forte controlo sobre associações civis.

Foi neste ambiente de incerteza que o Rotary Clube de Lisboa teve de afirmar a sua missão. Os almoços no Café Tavares, frequentados por engenheiros, médicos, advogados, dirigentes de empresas nacionais e estrangeiras, despertavam curiosidade e suspeitas. Qualquer reunião de figuras influentes podia ser considerada como conspiração. Os membros do primeiro clube rotário português tiveram de explicar, vezes sem conta, que se dedicavam ao bem comum, à ética profissional e ao serviço.

A semente espalha-se

O entusiasmo rotário depressa se estendeu a outras cidades portuguesas, tendo o Rotary Clube de Lisboa assumido o seu papel natural de clube padrinho. E assim nasceram:

A rede começava a crescer. Durante as décadas de 1930 e 1940, enquanto o mundo atravessava crises, guerras e profundas transformações, o Rotary em Portugal manteve um perfil discreto mas sólido, apoiando instituições, promovendo conferências e afirmando-se através da seriedade dos seus membros.

Nos anos 50, apesar do regime autoritário, o Rotary Clube de Lisboa reforçou a sua capacidade de ação. Nos últimos anos da década 1950, participou ativamente na criação da Fundação Rotária Portuguesa, uma estrutura destinada a apoiar jovens estudantes. Era uma inovação profunda numa sociedade onde a filantropia organizada ainda dava os primeiros passos.

Em 1956, o clube concretizou um desejo antigo ao inaugurar a sua primeira sede própria, na Rua Tomás Ribeiro. Era o sinal claro de que o Rotary em Portugal tinha vindo para ficar.

A revista Portugal Rotário

A publicação que tem na sua frente, durante grande parte da sua história foi conhecida como Portugal Rotário e surgiu no interior do Rotary Clube de Lisboa. Herdeira de uma das mais antigas tradições editoriais do mundo rotário lusófono, nasceu da ideia, simples e poderosa, de dar voz ao Rotary em Portugal e construir um espaço de identidade partilhada entre os clubes rotários.

No início da década de 1930, José da Cruz Filipe, membro do clube, sonhava com dois objetivos: a criação de um distrito rotário português e uma revista nacional. Em fevereiro de 1935, o Boletim Mensal do Rotary Clube de Lisboa, que dirigia, anunciou que a Direção do clube aprovara a criação de uma publicação rotária portuguesa. O nome estava escolhido, Portugal Rotário, seguindo o exemplo de congéneres de outros países.

A autorização oficial demorava e José da Cruz Filipe decidiu avançar, mesmo assim. Em junho de 1936, na 1.ª Reunião Magna dos Rotários de Portugal, realizada na Curia, distribuiu um suplemento especial ao Boletim Mensal do seu clube, com uma capa de Pedro Guedes, onde se lia verticalmente “Portugal Rotário”. Como o suplemento foi publicado sem a necessária autorização censória, José da Cruz Filipe teve problemas com as autoridades, mas a marca estava lançada.

Entre 1937 e 1939 surgiram vários suplementos, todos com a inscrição: “Suplemento ao Boletim Mensal do Rotary Club de Lisboa, onde se prova a existência dum Portugal Rotário”. Estes documentos são hoje peças preciosas da história.

Graças à intervenção decisiva de Augusto de Castro, então diretor do Diário de Notícias e associado do Rotary Clube de Lisboa, a Portugal Rotário obteve finalmente autorização oficial para ser editada. Esse aval permitiu que, em abril de 1940, fosse lançada a sua primeira edição legalizada, seguindo-se uma nova edição em 1941 e uma edição especial em 1944, já num contexto marcado pela Segunda Guerra Mundial. Estas publicações consolidaram a Portugal Rotário como órgão de expressão dos clubes rotários portugueses e como instrumento de ligação ao Rotary International.

Após um período de interrupções e formatos irregulares, a revista renasceu com estabilidade já na década de 1980, afirmando-se como publicação periódica regular e voz institucional do Rotary em Portugal. Ao longo do tempo, acompanhando a evolução da organização e a integração plena nas estruturas globais de comunicação do Rotary International, a revista adotou a designação Rotary Portugal, alinhando-se com a identidade gráfica e editorial contemporânea.

Hoje, enquanto membro da Rotary Global Media Network, a revista Rotary Portugal integra a rede internacional de revistas regionais do Rotary, assegurando a difusão de informação, memória histórica e boas práticas rotárias em todo o espaço lusófono que serve.

O Rotary num país em mudança

Entre as décadas de 1930 e 1970, Portugal viveu profundas transformações. Regime totalitário, guerra civil em Espanha, Segunda Guerra Mundial, reconstrução europeia, guerras coloniais, queda do regime e estabelecimento da democracia. O Rotary Clube de Lisboa atravessou todo este percurso mantendo o fio condutor do serviço, da ética e da cultura.

O livro com a história do Rotary Clube de Lisboa 1926–1979, agora com uma segunda edição que abrange o período de 1979 a 2026, descreve esse tempo como uma sucessão de desafios e conquistas. Nos anos 30 e 40, o clube manteve reuniões regulares apesar das turbulências políticas, promovendo conferências e ações de beneficência.

Com o pós-guerra chegou uma nova energia. O clube intensificou a sua participação internacional, reforçou a ligação com outros clubes e consolidou a circulação de ideias num país que, apesar do regime político fechado, se abria lentamente ao exterior.

Nos anos 50, o Rotary Clube de Lisboa contribuiu decisivamente para a criação da Fundação Rotária Portuguesa, estrutura que viria a apoiar milhares de bolsas de estudo e projetos de impacto nacional. Em 1965, o Governador Rui Clímaco destacaria o clube como “o que maiores serviços tem prestado à causa rotária em Portugal”.

Em 1969, nasce o Rotaract Clube de Lisboa, o primeiro do país, inaugurando a ligação formal às novas gerações.

Cultura, Solidariedade e Juventude

Com a democracia consolidada, o Rotary Clube de Lisboa entrou nos anos 80 com renovada capacidade de ação. As décadas seguintes foram marcadas por uma fusão vibrante de cultura, filantropia e participação cívica.

O clube organizou grandes eventos beneficentes, concertos, jantares de angariação de fundos e ações de apoio a instituições sociais. A vida cultural esteve sempre presente, com visitas guiadas, conferências temáticas, colaborações com artistas e iniciativas que aproximaram o clube da cidade.

As bolsas de estudo, apoiadas pela Fundação Rotária Portuguesa, tornaram-se uma das áreas mais consistentes de intervenção. Ao mesmo tempo, a relação com as novas gerações fortaleceu-se através do Rotaract, que continuou a crescer e a afirmar-se na capital portuguesa.

O período 1980–2000 fica registado na memória do clube como uma fase de transformação, com uma maior abertura e diversidade profissional, e um reforço das relações internacionais. Lisboa acolheu clubes de todo o mundo e delegações portuguesas passaram a ter presença assídua em convenções globais.

Três marcos na história das Mulheres em Rotary

A admissão de mulheres no Rotary em Portugal foi um processo gradual, enquadrado por alterações estatutárias internacionais e por uma evolução progressiva da própria cultura rotária nacional. Este percurso ficou marcado por três momentos decisivos, que ajudam a compreender a forma como o Rotary em Portugal se adaptou às transformações sociais do final do século XX e início do século XXI.

O primeiro marco ocorre em 1989, ano em que o Rotary International passou a permitir formalmente a admissão de mulheres como membros representativos. Em Portugal, esse momento coincide com a entrada oficial de Maria da Luz Martins Lima no Rotary. Segundo o seu testemunho direto, aguardou deliberadamente essa alteração estatutária internacional para poder integrar o Rotary desde a fundação do Rotary Club de São Mamede de Infesta, do qual foi sócia fundadora. A sua admissão, alinhada com a abertura internacional do Rotary, confere-lhe um lugar singular na história rotária nacional como a primeira mulher a entrar oficialmente no Rotary em Portugal, associando o pioneirismo feminino à criação de um novo clube.

O segundo marco assume um forte valor simbólico. No ano rotário de 1994-1995, Maria Joaquim Coelho da Mota, assume a presidência do Rotary Club Lisboa-Estrela, tornando-se, assim, a primeira mulher a exercer funções de presidente de um clube rotário em Portugal. Um momento que traduz um sinal claro de maturidade institucional e confirma a normalização da presença feminina em funções de liderança no seio do Rotary em Portugal.

O terceiro grande marco surge, já no século 21, no ano rotário de 2008–2009. Maria Teresa Pereira Rosa Mayer, então sócia do Rotary Club de Sesimbra, torna-se a primeira mulher a exercer funções de governadora distrital em Portugal, no Distrito 1960. A sua eleição consagra a plena integração das mulheres nas mais altas responsabilidades das estruturas rotárias nacionais.

Distintos no tempo e na natureza das funções, estes três momentos constituem referências fundamentais para compreender a evolução da participação feminina no Rotary em Portugal e a forma como essa presença se foi afirmando de modo sustentado na vida e na liderança desta organização em território português.

Do novo Milénio ao Centenário

O século XXI trouxe ao Rotary Clube de Lisboa desafios inéditos, oportunidades inesperadas e um contexto global profundamente diferente daquele que marcou os seus primeiros anos. A entrada no novo milénio coincidiu com um período de renovação geracional, abertura ao exterior e reforço da ação humanitária. Lisboa, agora mais cosmopolita e integrada nas redes internacionais, tornou-se terreno fértil para um clube que sempre soube evoluir mantendo o sentido de missão.

A internacionalização intensificou-se de forma visível. O Rotary Clube de Lisboa aprofundou geminações com clubes estrangeiros, participou em encontros europeus e reforçou a sua presença em plataformas digitais de colaboração. Realizaram-se reuniões online com clubes rotários da Europa, das Américas e da Ásia, muito antes de isso se tornar prática comum. Tornou-se frequente a participação em projetos conjuntos com instituições portuguesas e internacionais, criando redes de aprendizagem e solidariedade que ampliaram a identidade global do clube.

Este período ficou também marcado por mudanças internas significativas, que abriram novos caminhos na história do Rotary Clube de Lisboa. No ano rotário de 1992–1993, Teresa Macedo Costa tornou-se a primeira mulher a ser admitida como membro representativo do clube. Anos mais tarde, viria igualmente a ser a primeira mulher a exercer a presidência do Rotary Clube de Lisboa. A sua admissão constitui-se como um marco institucional, abrindo uma etapa de maior abertura e inclusão, que antecipou a participação crescente das mulheres na vida e na liderança rotária, em Lisboa e no conjunto do país. Rita Simões, presidente em 2021–2022 e primeira dirigente do clube com percurso rotaractista, trouxe consigo a visão e a energia de uma geração mais jovem. O seu mandato reforçou a ligação entre Rotary e Rotaract, a modernização das práticas de comunicação e o envolvimento dos jovens em projetos de impacto. Alice Nobre, presidente em 2022–2023, foi distinguida internacionalmente e deu ao clube uma forte visibilidade externa. Sob a sua liderança emergiram iniciativas emblemáticas como a Gala Pólio 2022, alinhada com o esforço global de erradicação da poliomielite, e o projeto Sling Casulo, iniciado no ano rotário anterior, na área da saúde materno-infantil, reconhecido pelo seu alcance social e inovação.

A pandemia da COVID-19 foi, ela própria, um capítulo determinante. De um dia para o outro, o Rotary Clube de Lisboa adaptou-se ao formato digital. Celebrou online o 95.º aniversário, manteve reuniões regulares via plataformas digitais e lançou a obra Os Últimos 40 Anos de História do Clube, garantindo que o conhecimento e a memória coletiva continuavam acessíveis mesmo à distância. Criaram-se redes de apoio, consolidaram-se parcerias e surpreendentemente o clube preservou e ampliou a sua ação, mantendo projetos ativos, apoiando instituições parceiras e continuando a acolher novos associados.

Nos anos que antecedem o centenário, o clube voltou a ganhar ritmo e presença na cidade. Reforçou o quadro social com novos membros de grande qualidade humana e profissional, intensificou a colaboração com entidades públicas e privadas e expandiu a sua marca de serviço. A área da educação tornou-se uma prioridade ainda mais forte, com a atribuição de dezenas de bolsas de estudo, algumas fruto do protocolo com o Instituto Superior Técnico e do empenho dos patrocinadores mobilizados pelo clube. A ação comunitária tornou-se mais diversificada, incluindo projetos sociais com impacto direto em populações vulneráveis, iniciativas culturais, apoio a instituições de saúde e participação em projetos de subsídios globais da The Rotary Foundation.

Em plena celebração do Centenário, o Rotary Clube de Lisboa apresenta-se como um clube renovado, consciente da sua herança e com os olhos postos no futuro. Os últimos 25 anos testemunham uma instituição capaz de se reinventar, de integrar novas linguagens e de manter intactos os valores que estiveram presentes naquele primeiro almoço de Madrid, em 1924. O centenário constitui-se assim como a celebração de um clube que, ao longo de cem anos, soube ligar gerações, servir com propósito e construir, passo a passo, o que significa ser rotário em Portugal.

A evolução dos distritos rotários em Portugal

Em junho de 1925, Chesley Perry, Secretário-Geral do Rotary International, convidou James H. Roth, Don Jim, para ser Representante Especial do Rotary em Espanha e Portugal por um período de um ano. O Rotary Club de Madrid tinha sido fundado cinco anos antes, em 22 de outubro de 1920. Don Jim foi bem sucedido no apoio à criação de vários clubes rotários na Península Ibérica. No dia 16 de dezembro de 1925, fez questão de estar presente na reunião constituinte do futuro Rotary Clube de Lisboa, realizada no histórico Café Tavares, no Chiado.

No ano seguinte, em 23 de janeiro de 1926, quando o Rotary Clube de Lisboa recebe a sua Carta Constitucional, Portugal passa a integrar formalmente o Rotary International, num distrito rotário internacional alargado.

Ao longo da década de 1930, o número de clubes em Portugal aumenta – primeiro com o Rotary Club do Porto, depois com o Rotary Club do Funchal, Rotary Club de Viseu e Rotary Club da Figueira da Foz – e a presença rotária ganha densidade e prestígio. É neste contexto que o Rotary International decide, em 1936, criar o cargo de Consultor Administrativo dos Clubes Rotários Portugueses, uma solução extraordinária destinada a assegurar liderança e coesão do Rotary, em expansão no país. O primeiro rotário português a desempenhar essas funções foi Vasco Nogueira de Oliveira, do Rotary Club do Porto. Estávamos no ano rotário de 1937-38.

É fundamental que este período seja compreendido no quadro ibérico, com a Guerra Civil Espanhola, de 1936-39, e a posterior proibição do Rotary sob o regime de Franco, que levaram ao colapso da atividade rotária no país vizinho. Esse contexto externo terá contribuído para que Portugal fosse integrado, relativamente cedo, numa estrutura distrital própria.

Após a Segunda Guerra Mundial, o Distrito 62 foi reenquadrado e passou a estar diretamente associado a Portugal. Embora mantivesse ainda um caráter internacional, a partir de 1946 passou, na prática, a ser governado exclusivamente por rotários portugueses. Nesse contexto, Vasco Nogueira de Oliveira foi novamente chamado e assumiu funções como o primeiro governador português, no ano rotário de 1946-1947. A sua nomeação resultou de um percurso sólido e consistente, por ter sido o primeiro Consultor Administrativo, em 1937-1938, e o último a exercer essa função, em 1945-1946, estava particularmente preparado para assumir essa nova e importante responsabilidade.

A década de 1950 trouxe nova renumeração e, a partir de 1957, Portugal passa a dispor de um distrito próprio, único e estável, o Distrito 176. Duas décadas depois, em 1977, o distrito rotário português passa a designar-se Distrito 196.

A expansão dos clubes tornou necessária nova reorganização e, em 1983, o distrito português foi dividido em dois distritos nacionais, o Distrito 196, para o centro sul, sul e ilhas, e o Distrito 197, para o centro norte e norte. Esta mudança permitiu uma gestão mais próxima dos clubes, maior capacidade de acompanhamento e uma distribuição mais equilibrada de responsabilidades.

Em 1991 ocorreu um novo ajuste de numeração que fixou a configuração atual. O antigo Distrito 196 passou a designar-se Distrito 1960 e o antigo Distrito 197 passou a designar-se Distrito 1970, estabelecendo a estrutura que hoje conhecemos.

A essência mantém-se, com dois distritos inteiramente portugueses, herdeiros de uma trajetória que começa em Lisboa, em 1926, passa pelo modelo dos Consultores Administrativos, atravessa os distritos 62, 176 e 196, e culmina na realidade atual, com os Distritos 1960 e 1970, plenamente integrados na organização mundial do Rotary.

Vista em perspetiva, esta evolução evidencia um percurso consistente, do pioneirismo inicial à autonomia distrital, dando resposta ao crescimento do Rotary e às circunstâncias históricas do espaço ibérico. Uma história influenciada pelos contextos nacionais e ibéricos, que reflete a forma como o Rotary foi ajustando a sua estrutura à realidade portuguesa.

Rotary Clube de Lisboa, a fábrica de líderes

Ao longo de um século, o Rotary Clube de Lisboa formou dirigentes distritais que definiram o rumo do Rotary em Portugal.

Ernesto Santos Bastos (Consultor Administrativo 1940-1941 e Diretor RI 1945-1947). Um dos fundadores do Rotary Clube de Lisboa, tornou-se rapidamente uma das figura mais respeitada do Rotary em Portugal. Visionário da organização, estudioso do modelo internacional e defensor da ética profissional, liderou o distrito num período de afirmação estrutural. Foi o primeiro português a assumir as funções de Diretor do Rotary International (1945-1947).

Ermete Pires (Consultor Administrativo 1941-1942 e Governador D62 1947-1948). Esteve no célebre almoço de 1924, no Rotary Club de Madrid, origem do Rotary em Portugal. Figura decisiva na fundação do clube, liderou o distrito em dois mandatos num período de afirmação nacional do Rotary. Era reconhecido pela inteligência oratória, sentido de serviço e defesa intransigente da ética profissional.

Francisco Cortez Pinto (Consultor Administrativo 1943-1945). Trouxe ao Rotary temas de saúde pública e responsabilidade social. Como dirigente distrital, reforçou a ligação a instituições hospitalares e científicas, promovendo conferências que marcaram a vida intelectual lisboeta. A sua visão humanista aproximou ainda mais o Rotary da comunidade.

Raúl do Carmo e Cunha (Governador D62 1951-1953). Assumiu funções de governador distrital durante dois anos num contexto politicamente exigente. Defendeu o rigor estatutário, o caráter apartidário do Rotary e a importância do debate sobre cidadania e responsabilidade cívica. Contribuiu para reforçar a credibilidade institucional do movimento.

Augusto Salazar Leite (Governador D62 1953-1955, Diretor RI 1958–60 e Vice-Presidente RI 1959-60). Defendeu a cooperação internacional, a ciência e o ideal de paz. Assumiu a responsabilidade de governador distrital durante dois anos que o levariam, mais tarde, ao mais alto patamar internacional alcançado por um português no Rotary. Integrou o Conselho Diretor do Rotary International, exercendo funções como Diretor durante os anos rotários de 1958–1960. Na segunda parte do seu mandato (1959–1960), acumulou as funções de Vice-Presidente do Rotary International, sob a presidência de Harold T. Thomas.

Bernardo Mendes de Almeida (Governador D176 1957-1958). Filho do fundador Boaventura Mendes de Almeida. Como dirigente distrital, reforçou a articulação com Rotary International, onde exerceu funções, consolidou relações institucionais e promoveu o crescimento organizado dos clubes portugueses.

Augusto Serras (Governador D176 1959-1960). Liderou o distrito num momento de crescimento e afirmação nacional. Defensor da neutralidade política do movimento e da valorização da juventude, teve papel decisivo na criação e estruturação da Fundação Rotária Portuguesa.

Mário Anunciação Gomes (Governador D176 1962-1963). Liderou o distrito com grande visibilidade nacional. Promoveu o companheirismo interclubes, reforçou relações institucionais e deu destaque à cultura e à intervenção cívica. O seu mandato aproximou Rotary da esfera pública e das instituições do Estado.

José Octávio Rodrigues Vaz (Governador D176 1965-1966). Valorizou a formação rotária, o estudo das normas internacionais e a reflexão sobre ética e juventude. Participou ativamente em conferências distritais, sendo reconhecido pela clareza e rigor da sua intervenção rotária.

Sérgio A. Fernandes Medeiros (Governador D176 1970-1971). Dinamizador de projetos de juventude, liderou o distrito na transição para uma nova década, incentivando a inovação, a comunicação e a valorização dos jovens como agentes de liderança.

José Dias Marques (Governador D176 1971-1972). Liderou o distrito num período sensível de mudança política. Defendeu o diálogo social, a defesa da cidadania e a manutenção de um Rotary plural e atento às transformações da sociedade portuguesa na transição para a democracia.

Carlos A. Estorninho (Governador D176 1974-1975). Guiou o distrito durante o turbulento período pós-25 de Abril. Apostou na reorganização dos clubes, na formação de líderes e na abertura do Rotary à nova realidade democrática. A sua ação consolidou o papel do Rotary na sociedade civil.

Ângelo Almeida Ribeiro (Governador D176 1976-1977). Liderou o distrito com foco na transparência, na modernização administrativa e na aproximação às universidades e ordens profissionais. A sua liderança reforçou a credibilidade do movimento.

António Guimarães Ferreira (Governador D196 1982-1983). Entusiasta da juventude e dos intercâmbios internacionais, marcou o distrito com dinamismo e abertura ao mundo. Acompanhou bolseiros e reforçou a participação portuguesa nas Semanas da Compreensão Mundial.

Peter Tönnies (Governador D1960 1992-1994). De origem alemã, tornou-se uma das figuras mais queridas do clube. Durante o seu mandato, estreitou relações internacionais, dinamizou projetos sociais e culturais e deixou uma reputação de elegância, humanismo e serviço exemplar. Por falecimento do governador que o sucedeu, João Ferreira Netto, Peter Tönnies assumiu novamente a administração do distrito até final do ano rotário 1993-1994.

António Augusto Conde (Governador D1960 2004-2005). Modernizou a gestão distrital e promoveu a The Rotary Foundation e a Fundação Rotária Portuguesa. Incentivou a adoção de subsídios e projetos estruturados, ampliando o impacto do Rotary em Portugal.

Jorge Lucas Coelho (Governador D1960 2025-2026). Administra o distrito no ano do Centenário do Rotary Clube de Lisboa. Tem uma comprovada experiência rotária, iniciada no Rotaract, há mais de 45 anos, mantendo uma participação ativa no distrito, nas estruturas nacionais e internacionais e no apoio aos projetos da The Rotary Foundation. Defende um Rotary inovador, preparado para o futuro, focado na formação de líderes, na relevância social e na continuidade dos valores que moldaram o Rotary em Portugal ao longo de um século.

Marcelo Rebelo de Sousa e o Rotary Clube de Lisboa

Em janeiro de 2003, no início das comemorações do 77.º aniversário do Rotary Clube de Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa foi admitido como associado do clube. À data, era professor catedrático de Direito e constitucionalista, com intervenção regular no espaço público português. A sua admissão enquadrou-se na tradição do Rotary Clube de Lisboa de integrar personalidades das áreas académica, jurídica, empresarial e cultural, valorizando o contributo cívico e profissional dos seus membros.

Enquanto associado, Marcelo Rebelo de Sousa participou em atividades do clube e manteve ligação a um espaço de encontro e reflexão onde coexistem diferentes percursos profissionais, gerações e sensibilidades, num quadro assumidamente apartidário. Essa participação correspondeu ao papel histórico do clube como fórum de debate e de serviço, centrado na ética, na responsabilidade cívica e na atenção aos temas relevantes da sociedade portuguesa.

Mais tarde, já afastado da atividade partidária, viria a ser eleito Presidente da República, em 2016, e reeleito em 2021. A sua ligação ao Rotary Clube de Lisboa integra-se no percurso institucional do clube, que ao longo da sua história reuniu associados com presença ativa na vida pública, académica e profissional, contribuindo para a reflexão cívica e o serviço à comunidade.

Diretores portugueses

Três portugueses chegaram ao Conselho Diretor do Rotary International. Dois deles eram sócios do Rotary Clube de Lisboa e, o terceiro, era sócio do Rotary Club de São João da Madeira. Todos ajudaram a decidir a estratégia global e o futuro da organização.

Ernesto Santos Bastos
(Diretor 1945-1947)

Um dos fundadores do Rotary Clube de Lisboa, é a primeira grande referência internacional do Rotary em Portugal. Tornou-se, desde cedo, a ponte natural entre os clubes portugueses e Evanston. Pouco depois de liderar a 2ª Reunião Magna dos Clubes Rotários Portugueses, na Curia, foi nomeado Consultor Administrativo do Rotary International em Portugal, encarregado de acompanhar, orientar e consolidar o crescimento do Rotary no país. Anos mais tarde, e em reconhecimento da persistência e da amplitude dos seus serviços, viria a ser designado Diretor do Rotary International. Na prática, Ernesto Santos Bastos ajudou a firmar a credibilidade do Rotary junto das autoridades portuguesas, acompanhou a expansão para o Porto, Funchal, Viseu e Figueira da Foz e deixou um acervo documental que se tornou a base da biblioteca do Rotary Clube de Lisboa. O seu nome permanece associado à fase de implantação do Rotary em Portugal e à primeira presença portuguesa nos órgãos internacionais da organização.

Augusto Salazar Leite
(Diretor 1958–1960 e Vice-Presidente 1959-1960)

Personifica a ligação entre ciência, o serviço público e a visão internacional. Membro do Rotary Clube de Lisboa, liderou, como governador, o Distrito 62, tendo sido o segundo português a ser eleito como Diretor do Rotary International. No segundo ano de mandato como membro do Conselho Diretor do Rotary International, foi escolhido para ser Vice-Presidente da organização pelo então Presidente, neozelandês, Harold T. Thomas. Durante esse período, levou para a liderança mundial do Rotary a sua experiência em medicina tropical, diplomacia parlamentar e cooperação internacional, alinhando o ideal de servir com temas como saúde, desenvolvimento humano e paz.

Marcelino Boaventura Santos Chaves
(Diretor 1991-1993)

Representa a geração que leva o Rotary em Portugal à plena maturidade internacional no fim do século 20. Ingressou no Rotary Club de São João da Madeira em 1963 e, a partir daí, construiu um percurso rotário exemplar, marcado por liderança discreta e visão estratégica. Marcelino Chaves foi governador do Distrito 176, no ano rotário 1975-1976 e, no ano 1991-1993, integrou o Conselho Diretor do Rotary International. Durante esse período, fez parte da Comissão Executiva do Board em 1992-1993, tendo assumido responsabilidades em áreas estruturantes como a organização das convenções, coordenação internacional do programa Pólio Plus e integrou a Comissão “Preserve o Planeta Terra”, num tempo em que o Rotary começava a articular saúde global, ambiente e desenvolvimento sustentável. Foi distinguido com a Menção por Serviços Meritórios da The Rotary Foundation, reconhecimento reservado a quem presta serviço excecional à causa rotária a nível mundial.

Legados que atravessam gerações

Olhar para estes três nomes é ver, em três momentos distintos, a trajetória de Portugal dentro do Rotary International. Em comum, todos levaram para o Conselho Diretor do Rotary International a experiência concreta dos clubes, o conhecimento profundo da realidade portuguesa e uma leitura global dos desafios do seu tempo. Para o leitor da revista Rotary Portugal, estes três percursos lembram que, mesmo vindo de um país periférico em termos geográficos, o Rotary em Portugal teve, e pode continuar a ter, voz própria na definição dos rumos do Rotary no mundo.

Pedro Correia:
O Centenário é uma afirmação do futuro

O Rotary Clube de Lisboa entra em 2026 com o peso da história e a força renovada de quem sabe que o futuro também se constrói a partir da memória. Para o atual presidente do clube, Pedro Correia, este é “um dos momentos mais marcantes da vida rotária em Portugal” e a oportunidade de refletir sobre cem anos de serviço, liderança e solidariedade.

Celebramos o Centenário do primeiro clube rotário fundado em Portugal e um dos mais antigos da Europa continental”, recorda. “É impossível olhar para esta data sem um profundo sentimento de responsabilidade. A partir de Lisboa nasceram clubes, ideias, projetos e um espírito de serviço que atravessou gerações.”

As comemorações, sublinha o presidente, não pretendem apenas revisitar o passado, mas projetar o futuro. “O Centenário não é só uma celebração histórica, é uma afirmação do Rotary que queremos continuar a ser. O programa que preparámos assenta em pilares que definem a nossa identidade: cultura, conhecimento, serviço, companheirismo e inspiração.”

Entre 17 e 24 de janeiro de 2026, o clube promove um conjunto de iniciativas que, segundo Pedro Correia, “simbolizam não apenas aquilo que fizemos, mas a forma como desejamos continuar a servir a comunidade nos próximos cem anos”.

O lançamento do Livro e da Medalha do Centenário é o primeiro grande destaque. Para o presidente, estes dois símbolos são “um tributo aos rotários que, desde 1926, construíram o clube através do seu trabalho e da sua dedicação diária. É a nossa forma de perpetuar um legado que merece ser conhecido e estudado.”

Entre os momentos culturais previstos está a palestraAção Rotária antes de haver Rotary – Solidariedade básica no antigo Egito”, que Pedro Correia considera particularmente inspiradora.

Queremos mostrar que o impulso de ajudar o outro é tão antigo quanto a própria civilização. O Rotary é herdeiro de uma tradição humana universal.”

Outro momento simbólico será a inauguração do Marco Rotário do Centenário. “Este marco é mais do que um objeto. É a expressão física de um compromisso com a cidade que nos acolhe desde 1926. É um sinal de continuidade, presença e responsabilidade para com Lisboa.”

O Jantar de Gala do Centenário reunirá rotários, parceiros, antigos membros e amigos do clube. “O companheirismo é uma das forças mais duradouras do Rotary. Quisemos criar um encontro que celebrasse exatamente isso.”

A encerrar a semana comemorativa, o Concerto de Gala pela Banda da Armada, no Pavilhão das Galeotas, promete um momento de grande impacto artístico. “Lisboa tem uma identidade profundamente ligada ao mar e à cultura. Este concerto é uma homenagem à cidade e ao país que nos viram nascer.”

Para Pedro Correia, este conjunto de iniciativas cumpre um propósito fundamental: “honrar o passado, celebrar o presente e lançar bases para o futuro”. Mas o presidente sublinha que a celebração não se esgota no calendário. “O Centenário recorda-nos que o nosso trabalho tem impacto real. Celebramos 100 anos de história, mas celebramos, sobretudo, 100 anos de impacto na vida das pessoas, das instituições e da própria cidade.”

E conclui com a ideia que norteia o clube neste momento especial: “Temos orgulho no caminho percorrido e assumimos, com convicção, a responsabilidade de continuar a construir um mundo mais justo, mais solidário e mais humano. É isso que significa ser rotário. É isso que queremos levar connosco para o nosso segundo século de vida.

Um século a abrir portas através da educação

Ao longo de cem anos, muitos projetos passaram pelo Rotary Clube de Lisboa. Uns marcaram o seu tempo e outros desapareceram, naturalmente. Apenas um permaneceu como linha contínua na identidade do clube desde meados do século XX até aos nossos dias: o apoio à educação dos jovens, sobretudo através de prémios e bolsas de estudo.

A génese deste percurso surgiu cedo. Já em 1950, o clube entregou o seu primeiro prémio académico ao aluno melhor classificado do Instituto Superior Técnico. No ano seguinte, estendeu a iniciativa à Faculdade de Direito de Lisboa. Estas ações revelavam a convicção profunda de que a educação é a ferramenta mais poderosa para transformar vidas e comunidades. Nas décadas seguintes, o clube reforçou essa aposta com bolsas e donativos a estudantes carenciados, incluindo jovens de instituições como A “Voz do Operário”, escolas industriais e outras universidades da capital portuguesa.

Este compromisso evoluiu e ganhou dimensão institucional em 1959, quando os clubes portugueses decidem criar a Fundação Rotária Portuguesa (FRP). O Rotary Clube de Lisboa teve um papel determinante na sua conceção, estruturação e financiamento. O projeto permitiria que o apoio à educação deixasse de depender apenas de iniciativas pontuais e passasse a integrar um modelo de sustentabilidade e continuidade. Até agora, a FRP já ofereceu mais de 14000 bolsas de estudo, um número que fala por si e que confirma a visão estratégica dos seus fundadores.

Com a chegada da democracia e da modernização do país, esta tradição fortaleceu-se. Nos últimos vinte anos, o clube aprofundou a ligação às instituições de ensino superior e reforçou práticas de apoio direto a estudantes. Esse caminho culmina, no início do século XXI com uma parceria formal, o protocolo com o Instituto Superior Técnico, que marca definitivamente a identidade contemporânea do clube.

A partir desse acordo, o Rotary Clube de Lisboa passa a atribuir, anualmente, bolsas de estudo para alunos de mérito com dificuldades económicas, permitindo-lhes prosseguir cursos de engenharia e tecnologia – áreas determinantes para o desenvolvimento do país. Para financiar este esforço, o clube mobiliza concertos solidários, parcerias empresariais, campanhas internas e o apoio da Fundação Rotária Portuguesa. No ano 2023-2024, entregou 18 bolsas num único evento e o objetivo, para o triénio seguinte, aponta para 30 a 40 bolsas, um número inédito na história do clube.

Em tempos de instabilidade e de prosperidade, durante mudanças políticas, crises económicas ou transformações sociais, o Rotary Clube de Lisboa manteve sempre a convicção de que nenhum investimento tem retorno tão profundo como aquele que se faz no desenvolvimento dos jovens, com enorme impacto no seu futuro.

É por isso que, quando olhamos para a história do clube, encontramos um enorme conjunto de ações mas, acima de tudo, o fio condutor que atravessou gerações de rotários, feito de responsabilidade e esperança, que liga o passado ao futuro, e faz da educação o maior legado destes cem anos de vida rotária.

No momento em que celebramos o Centenário de Rotary em Portugal, este será, eventualmente, o contributo mais eloquente do Rotary Clube de Lisboa para a cidade e para o país. Um século a abrir portas, a criar oportunidades e a servir através da educação.

Rotary Clube de Lisboa renovou o protocolo com o Instituto Superior Técnico para o ano letivo 2025/2026

Maurício Pires: Inspirando gerações

Decano dos governadores portugueses vivos, memória ativa de várias gerações rotárias.

Maurício Baía Pires cresceu em Braga, numa família ligada à ourivesaria, atividade à qual ficou profundamente associado desde muito cedo. Aos 12 anos já trabalhava com o pai, aprendendo a escutar, compreender e respeitar quem entrava na loja. Essa atenção ao outro, centrada na confiança e na palavra dada, moldou o seu percurso profissional e humano. Aos 88 anos, continua ligado ao negócio e mantém contacto regular com clientes que, ao longo de décadas, se tornaram amigos. O golfe, praticado sempre que possível, completa esse equilíbrio entre vida profissional, convívio e lazer.

Foi também em Braga que iniciou o percurso em Rotary. Admitido no Rotary Club de Braga, em 16 de dezembro de 1961, durante a Visita Oficial do Governador Manuel Lopes Pereira, desempenhou todos os cargos no clube e assumiu diversas funções distritais. Quando foi sondado para servir como governador distrital, durante a 31.ª Conferência do então Distrito 176, realizada em maio de 1977, contava já com 17 anos de vida rotária ativa e um conhecimento profundo da realidade dos clubes portugueses.

Governador do Distrito 196

Em maio de 1979, Maurício Pires participou, com a sua esposa Maria Alice, na Assembleia Internacional em Boca Raton, na Flórida, EUA. Teve como Group Leader o ex-governador Carlos Estorninho, do Rotary Clube de Lisboa, e partilhou a formação com governadores de distrito eleitos do Brasil, experiência que descreve como uma verdadeira lição de vida e de companheirismo. Pouco depois, na Convenção Internacional de Roma, foi confirmado como governador do Distrito 196 (distrito único em Portugal) para o ano rotário 1979-80. A cerimónia de transmissão de mandatos decorreu em Tomar, sob o lema do Presidente de Rotary International, James L. Bomar Jr., “Que o Ideal de Servir Ilumine o Mundo”.

Durante o mandato, promoveu uma forte articulação entre lideranças distritais, assegurando continuidade com o governador seguinte, João Menéres Pimentel, do Rotary Club de Portimão, num modelo de transição já praticado pelo seu antecessor, António José Saraiva, do Rotary Club Lisboa-Oeste. A sua governação ficou marcada pelo planeamento rigoroso da ação distrital, pela organização cuidada das visitas oficiais e pela criação dos Rotary Clubs de Valença, Felgueiras e Fátima, reforçando a presença do Rotary em diferentes regiões do país.

O apoio à Fundação Rotária Portuguesa foi uma prioridade clara do mandato e, em dezembro de 1979, recebeu a visita oficial do então Presidente Rotary International, James L. Bomar Jr., com encontros rotários em Viana do Castelo e em Lisboa, envolvendo também Interact e Rotaract. Esta visita teve um impacto significativo no reforço da ligação à The Rotary Foundation, permitindo aumentar o número de Companheiros Paul Harris Fellow no Distrito de dois para 21 e elevar a média de contribuições distritais. O ponto alto foi a receção pelo Presidente da República, General Ramalho Eanes.

O ano rotário ficou também marcado pela solidariedade em momentos difíceis. Em janeiro de 1980, o violento sismo que atingiu os Açores mobilizou rapidamente os clubes portugueses. Sob a coordenação do governador, foi possível angariar mais de dois milhões de escudos, cerca de dez mil euros em valores atuais, um montante muito expressivo para a época, complementado por apoios internacionais. Maurício Pires recorda com particular emoção o momento em que transportou cheques no valor superior a 1,1 milhões de escudos, resultado direto da generosidade dos companheiros. Foi, segundo o próprio, um dos momentos em que sentiu com maior intensidade a responsabilidade do cargo e, simultaneamente, a força do ideal rotário.

Conferências, representações e companheirismo

A 34.ª Conferência Distrital, realizada na Póvoa de Varzim, em maio de 1980, reuniu cerca de 600 participantes e teve como tema “Turismo de Hoje, Turismo de Amanhã”, refletindo preocupações estratégicas para o desenvolvimento do país e das comunidades. Anos mais tarde, no ano rotário de 1990-1991, Maurício Pires foi convidado a representar o Presidente de Rotary International, Paulo Viriato Corrêa da Costa, numa Conferência Distrital em França, experiência que descreve como de grande responsabilidade e orgulho, num período marcado pelo lema “Valorize Rotary com fé e entusiasmo”.

Ao longo de todo o mandato, Maria Alice esteve sempre presente, acompanhando-o nas visitas e nos encontros distritais. Na última Carta Mensal do governador, deixou uma mensagem dirigida aos rotários e às suas esposas, agradecendo o ano vivido em conjunto. Como reconhecimento, Maurício Pires distinguiu-a com o título de Paul Harris Fellow.

Durante esse ano rotário, o Distrito 196 cresceu com mais 251 companheiros, viu nascer quatro novos Rotary Clubs, dois clubes Rotaract e um clube Interact. Maurício Pires percorreu mais de 26 mil quilómetros por estrada, cerca de 3.500 quilómetros de comboio e mais de 13 mil milhas de avião, dormindo 94 noites fora de casa. Ainda assim, quando olha para trás, identifica como maior realização o convívio fraterno e o espírito de amizade que o Rotary lhe proporcionou. Ajudou a fortalecer a The Rotary Foundation, promoveu novos Companheiros Paul Harris Fellow, reforçou relações internacionais e viveu, de forma plena, o ideal rotário de servir.

Fundação Rotária Portuguesa: Tempo, Consenso e Visão

Na primeira metade da década de 1950, o Rotary em Portugal encontrava-se num momento de maturidade. Os clubes existentes desenvolviam já ações regulares no apoio às suas comunidades, em particular na área educativa, e começava a ganhar forma a perceção de que esse esforço disperso poderia beneficiar de uma estrutura comum, capaz de assegurar continuidade, equidade e alcance nacional.

A reflexão surgiu de forma gradual, em diferentes círculos rotários, alimentada por debates em reuniões, fóruns e conferências distritais. A ideia era simples e ambiciosa: criar uma instituição permanente, de âmbito nacional, que permitisse organizar e sustentar, ao longo do tempo, o apoio à juventude e à educação, traduzindo de forma estruturada o Ideal de Servir.

Ao longo da década, essa visão foi sendo amadurecida em sucessivas Conferências Distritais, até que, nas X e XI Conferências do Distrito 176, os clubes rotários portugueses aprovaram, por unanimidade, as resoluções que viriam a dar origem a uma fundação comum. Estava lançado o alicerce institucional de um projeto coletivo, construído com base no consenso e na vontade partilhada.

O percurso encontrou expressão jurídica no final da década. Os Estatutos da Fundação Rotária Portuguesa foram aprovados por despacho ministerial de 31 de janeiro de 1959, conferindo existência legal a uma instituição de assistência particular, reconhecida como entidade moral de utilidade pública, com duração indeterminada.

Poucos meses depois, a 19 de abril de 1959, realizou-se a primeira reunião do Conselho de Administração, data que marca o início efetivo da atividade da Fundação. A partir desse momento, a ideia debatida durante anos transformava-se numa instituição viva, pronta a intervir de forma organizada no apoio à educação e ao desenvolvimento humano.

O Ato de Instituição identifica como fundadores dez rotários que, em representação dos clubes portugueses e do Distrito (único), assumiram formalmente a criação da Fundação Rotária Portuguesa:

  • José dos Santos Pardal
  • Augusto Serras
  • Joaquim Teixeira Barroca
  • António Rafael da Silva
  • Rodrigo Abel Sotto Mayor Santiago
  • Avelino Manuel da Silva
  • Manuel Paulino Ferreira Leite
  • Ernesto Viriato Ferreira da Silva
  • José Ernesto Mesquita Rodrigues
  • Bernardo Viana Machado Mendes d’Almeida

Cada um, com o seu percurso e contributo próprio, participou na construção de uma instituição que não pertencia a um clube ou a uma cidade, mas a todo o Rotary português.

Desde o início, a Fundação orientou a sua ação para o apoio à juventude, em particular através da atribuição de bolsas de estudo e outros auxílios educativos, entendendo a educação como instrumento essencial de progresso individual e social. Ao longo dos anos, a sua intervenção alargou-se aos domínios científico, cultural e social, sempre em articulação com os clubes rotários e em coerência com os valores do Rotary em Portugal. Sessenta e seis anos depois, a Fundação Rotária Portuguesa permanece fiel à vocação que presidiu à sua criação. Nascida do diálogo, da persistência e do entendimento entre rotários, continua a ser uma expressão concreta do Ideal de Servir, onde as pessoas se unem e entram em ação para causar mudanças duradouras

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GOVERNADORES PORTUGUESES

De 1937 a 2026, os líderes portugueses que marcaram o Rotary em Portugal (de 1926 a 1946, Portugal esteve integrado em distritos internacionais alargados).

CONSULTORES ADMINISTRATIVOS

1937-38 – Vasco Nogueira de Oliveira – RC Porto
1938-39 – Frederico de Freitas – RC Funchal
1939-40 – Frederico de Freitas – RC Funchal
1940-41 – Ernesto Santos Bastos – RC Lisboa
1941-42 – Ermete Pires – RC Lisboa
1942-43 – Raúl Reis Lello – RC Porto
1943-44 – Francisco Cortês Pinto – RC Lisboa
1944-45 – Francisco Cortês Pinto – RC Lisboa
1945-46 – Vasco Nogueira de Oliveira – RC Porto

GOVERNADORES DISTRITO 62

1946-47 – Vasco Nogueira de Oliveira – RC Porto
1947-48 – Ermete Pires – RC Lisboa
1948-49 – Maurício Augusto A. Pinto – RC Figueira da Foz
1949-50 – Rodrigo Ferreira Dias – RC Porto
1950-51 – Rodrigo Ferreira Dias – RC Porto
1951-52 – Raúl do Carmo e Cunha – RC Lisboa
1952-53 – Raúl do Carmo e Cunha – RC Lisboa
1953-54 – Augusto Salazar Leite – RC Lisboa
1954-55 – Augusto Salazar Leite – RC Lisboa
1955-56 – Luís Pedro Moitinho Almeida – RC Setúbal
1956-57 – Domingos Ferreira – RC Porto

GOVERNADORES DISTRITO 176

1957-58 – Bernardo Mendes d’Almeida – RC Lisboa
1958-59 – José dos Santos Pardal – RC Braga
1959-60 – Augusto Serras – RC Lisboa
1960-61 – João Pinto Ribeiro – RC Matosinhos
1961-62 – Manuel José Lopes Pereira – RC Porto
1962-63 – Mário da Anunciação Gomes – RC Lisboa
1963-64 – Manuel Fernando P. de Oliveira – RC Aveiro
1964-65 – Rui Clímaco – RC Coimbra
1965-66 – José Octávio Rodrigues Vaz – RC Lisboa
1966-67 – Álvaro M. Teixeira Bastos – RC Almada
1967-68 – José Constantino Correia Rosa – RC Caldas da Rainha
1968-69 – Octávio Lixa Felgueiras – RC Porto
1969-70 – Renato Severo Azevedo Costa – RC Matosinhos
1970-71 – Sérgio A. Fernandes Medeiros – RC Lisboa
1971-72 – José Dias Marques – RC Lisboa
1972-73 – Ângelo Couto Soares – RC Matosinhos
1973-74 – Carlos Evaristo Sousa Batista – RC Póvoa de Varzim
1974-75 – Carlos A. Gonçalves Estorninho – RC Lisboa
1975-76 – Marcelino Boaventura Chaves – RC S. João da Madeira
1976-77 – Ângelo Vidal de Almeida Ribeiro – RC Lisboa

GOVERNADORES DISTRITO 196

1977-78 – José Ernesto Mesquita Rodrigues – RC Aveiro
1978-79 – António José Saraiva – RC Lisboa-Oeste
1979-80 – Maurício Baía Pires – RC Braga
1980-81 – João B. Meneres S. Pimentel – RC Portimão
1981-82 – Mário Luís Mendes – RC Coimbra
1982-83 – António Guimarães Ferreira – RC Lisboa

GOVERNADORES DISTRITO 196 (Centro sul, Sul e Ilhas, Portugal)

1983-84 – António Russel – RC Lisboa-Norte
1984-85 – Jaime Saez Buceta – RC Caldas da Rainha
1985-86 – José Manuel Cordeiro – RC Santarém
1986-87 – Joaquim da Silva Gonçalves – RC Algés
1987-88 – António Duarte Gomes – RC Funchal
1988-89 – Alberto Maia e Costa – RC Cascais-Estoril
1989-90 – Luís Serra Pinto – RC Setúbal
1990-91 – José Carlos Estorninho – RC Oeiras

GOVERNADORES DISTRITO 1960 (Centro sul, Sul e Ilhas, Portugal)

1991-92 – Jorge dos Reis Oliveira – RC Portimão
1992-93 – Peter Tönnies – RC Lisboa
1993-94 – João Ferreira Netto – RC Lisboa-Sul / Peter Tönnies
1994-95 – José Maria Gonçalves Pereira – RC Lisboa-Norte
1995-96 – Martinho Castro Pinheiro – RC Lisboa-Oeste
1996-97 – José Espírito Santo Silva – RC Loures
1997-98 – Francisco Mendes Fernandes – RC Setúbal
1998-99 – Ricardo de Almeida Jr. – RC Almada
1999-00 – Luís C. A. Delgado – RC Porto Santo
2000-01 – Luís Filipe L. Castela – RC Lisboa-Oeste
2001-02 – Carlos Luís Carmona e Silva – RC Amadora
2002-03 – Henrique Gomes Almeida – RC Cascais-Estoril
2003-04 – Frederico J. E. Nascimento – RC Setúbal
2004-05 – António Augusto Conde – RC Lisboa
2005-06 – José Manuel Pereira – RC Loulé
2006-07 – Artur Almeida e Silva – RC Algés
2007-08 – Eduardo Caetano de Sousa – RC Horta
2008-09 – Maria Teresa Rosa Mayer – RC Sesimbra
2009-10 – Mário Augusto C. H. Rebelo – RC Santarém
2010-11 – Joaquim Esperança – RC Lisboa-Norte
2011-12 – José Coelho – RC Setúbal
2012-13 – Luís Miguel Duarte – RC Lisboa-Olivais
2013-14 – Fernando Manuel Ferreira Martins – RC Palmela
2014-15 – António Silva Mendes – RC Almada
2015-16 – Miguel Real Mendes – RC Lisboa-Benfica
2016-17 – Abílio Lopes – RC Tavira
2017-18 – Afonso Malho – RC Moita
2018-19 – Ilda Leite Braz – RC Ponta Delgada
2019-20 – Mara Ribeiro Duarte – RC Algés
2020-21 – Roberto Carvalho – RC Cascais-Estoril
2021-22 – Paulo Martins – RC Lisboa-Norte
2022-23 – Vítor Cordeiro – RC Parede-Carcavelos
2023-24 – David Valente – RC Loures
2024-25 – Paulo Taveira de Sousa – RC Lisboa-Estrela
2025-26 – Jorge Lucas Coelho – RC Lisboa

GOVERNADORES DISTRITO 197 (Centro norte e Norte, Portugal)

1983-84 – Nuno Argel de Melo – RC S. João da Madeira
1984-85 – Rui Sequeira – RC Matosinhos
1985-86 – Manuel Serôdio – RC Porto
1986-87 – Armando Teixeira Carneiro – RC Aveiro
1987-88 – Manuel Rebelo Cardona – RC Vila Real
1988-89 – Artur Lopes Cardoso – RC Vila Nova de Gaia
1989-90 – Francisco Zamith Passos – RC Guimarães
1990-91 – Fernando Lima Marques – RC Braga
GOVERNADORES DISTRITO 1970 (Centro norte e Norte, Portugal)

1991-92 – Augusto Leite Faria – RC Porto
1992-93 – Manuel Eugénio Cepeda – RC Penafiel
1993-94 – Manuel João Madureira Pires – RC Póvoa de Varzim
1994-95 – Rui Silva Leal – RC Matosinhos
1995-96 – Alcino Cardoso – RC Porto-Douro
1996-97 – Manuel Martins Costa – RC Vila Verde
1997-98 – Manuel João Madureira Pires – RC Póvoa de Varzim
1998-99 – Waldemar Valente de Sá – RC Porto
1999-00 – António J. Gonçalves Afonso – RC Santo Tirso
2000-01 – Octávio Belarmino Pereira – RC Felgueiras
2001-02 – Carlos A. dos Santos Lança – RC Porto-Foz
2002-03 – Henrique M. Correia Pinto – RC Leiria
2003-04 – Rui Manuel Amândi de Sousa – RC Vila Nova de Gaia
2004-05 – José Diamantino Gomes – RC Senhora da Hora
2005-06 – João José Barbosa – RC Aveiro
2006-07 – Álvaro de Oliveira Gomes – RC Ovar
2007-08 – Bernardino da Costa Pereira – RC Maia
2008-09 – Henrique Maria Martins Alves – RC Porto-Antas
2009-10 – Manuel Cordeiro – RC Vila Real
2010-11 – Armindo Lopes Carolino – RC Pombal
2011-12 – António Goes Madeira – RC Viseu
2012-13 – Teresinha Fraga – RC Senhora da Hora
2013-14 – Maria Goreti Machado – RC Braga
2014-15 – Fernando Pires Laranjeira – RC S. João da Madeira
2015-16 – António Custódio Vaz – RC Coimbra
2016-17 – Ernesto Rodrigues – RC Felgueiras
2017-18 – Alberto Soares Carneiro – RC Paredes
2018-19 – Joaquim Branco – RC Porto
2019-20 – José Luís Carvalhido da Ponte – RC Viana do Castelo
2020-21 – Sérgio Almeida – RC Arouca
2021-22 – Fernando Luís Nogueira – RC Chaves
2022-23 – José Alberto Oliveira – RC Braga Norte
2023-24 – Duarte Besteiro – RC Gaia-Sul
2024-25 – António Simões Pinto – RC Estarreja
2025-26 – Deolinda Nunes – RC S. João da Madeira

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