
Growth Mindset: De “eu sei” para “eu quero aprender”
A informação multiplica-se a cada segundo. As certezas de ontem rapidamente se tornam insuficientes. O Rotary International, fiel à sua tradição de evolução e serviço, também enfrenta este desafio. Como manter-se relevante, inspirador e eficaz num mundo que muda tão rapidamente? A resposta pode estar numa mudança de cultura, da mentalidade do know-it-all (aquele que pensa saber tudo) para o learn-it-all (aquele que quer aprender sempre).
O conceito de Growth Mindset (Mentalidade de Crescimento) foi desenvolvido pela psicóloga Carol Dweck, da Universidade de Stanford. Parte da ideia simples de que o talento é importante, mas o que realmente faz a diferença é a capacidade de aprender continuamente. Essa visão aplica-se com enorme pertinência ao Rotary. Ser membro desta organização é, também, um compromisso com o crescimento, pessoal, profissional e coletivo.
Uma cultura que inspira evolução
Durante muito tempo, o modelo de liderança em muitas organizações (incluindo a nossa) assentou na figura do “especialista”, o que sabe, o que ensina, o que já fez tudo. Mas o mundo mudou, e o Rotary também. Hoje, o verdadeiro líder é aquele que faz perguntas, que escuta, que experimenta. Que assume que não tem todas as respostas, mas tem a coragem de procurá-las.
Ao adotar uma cultura de aprendizagem, o Rotary transforma-se numa organização mais viva, curiosa e aberta. Esta mudança já se reflete no Plano de Ação do Rotary International, que convida todos – membros, clubes, distritos e zonas – a aumentar o impacto, expandir o alcance, melhorar o envolvimento dos participantes e reforçar a capacidade de adaptação. Tudo isto só é possível se formos, como movimento, constantes aprendizes.
Aprender, partilhar e inovar
Nos clubes, esta mentalidade de crescimento pode traduzir-se em pequenas grandes mudanças. Quando um presidente de clube pergunta “como podemos fazer melhor?” em vez de “como fizemos sempre?”, está a praticar o learn-it-all. Quando um clube reserva parte das suas reuniões para momentos de aprendizagem, seja para conhecer a The Rotary Foundation, debater temas de ética ou ouvir experiências de outros clubes, está a estimular crescimento.
Também se verifica esta cultura quando os clubes aprendem uns com os outros. Um projeto de literacia digital de um clube do Porto pode inspirar outro em Coimbra a criar algo semelhante; um projeto de saúde em Amarante pode ser aperfeiçoado com a experiência da Covilhã. A humildade de aprender com os outros é, afinal, a base da liderança rotária.
O papel dos distritos e das zonas
Os distritos e as zonas desempenham aqui um papel essencial. Um distrito que valoriza a aprendizagem cria programas de mentoria, forma líderes curiosos e estimula a troca de boas práticas entre clubes. As equipas distritais transformam-se em verdadeiros facilitadores de aprendizagem. Nas zonas, o diálogo entre distritos de diferentes países permite alargar horizontes e quebrar barreiras culturais.
Aprender é servir
No fundo, aprender é uma forma de servir. É reconhecer que o nosso conhecimento é sempre incompleto e que podemos servir melhor se estivermos dispostos a escutar, experimentar e mudar. O Rotary nasceu da partilha de experiências e ideias, e continua a crescer quando mantém viva essa chama de curiosidade e humildade.
Cada reunião de clube pode ser um espaço de crescimento. Cada projeto pode ser uma oportunidade para testar algo novo. Cada erro pode ser uma lição. E cada companheiro pode ser um professor e um aluno.
Quando o Rotary se torna uma comunidade de pessoas que querem continuar a aprender, renova-se, atrai novas gerações, diversifica-se e multiplica o seu impacto. Ser membro do Rotary no século XXI é, por isso, aprender a servir melhor, juntos, todos os dias.