Paz: Antes do silêncio das armas

Muitos associam-na ao fim da violência armada, quando as armas ficam em silêncio e acordos de armistício são assinados. Essa leitura, compreensível, é incompleta. O fim de uma guerra pode suspender a destruição sem resolver as condições que a originaram.

A história mostra-nos que sociedades sem conflito armado podem continuar marcadas pela exclusão, pelo medo, pelas desigualdade ou pela ausência de justiça. O silêncio imposto não gera, por si só, relações mais humanas nem comunidades mais seguras. Apenas mantém as tensões latentes, muitas vezes fora do olhar público, prontas a reaparecer quando o fraco equilíbrio é quebrado.

A verdadeira paz que começa antes de qualquer cessar-fogo. Forma-se nos espaços onde as pessoas sentem que contam, onde são escutadas e existem regras claras e instituições dignas de confiança. Cresce quando há respeito pela diferença e possibilidade real de diálogo, mesmo quando o entendimento não é imediato.

Nos estudos sobre conflitos, esta distinção é muito clara. A ausência de guerra descreve uma paz frágil, dependente do controlo e da contenção. Por outro lado, a paz duradoura exige escolhas continuadas, mecanismos de inclusão e uma cultura de responsabilidade coletiva. É uma construção, impossível de ser imposta através de decretos

Trata-se de um trabalho discreto, nas relações quotidianas, na forma como se escuta quem discorda e como se resolve um desacordo sem humilhar. Para isso é fundamental reconhecer a dignidade do outro, mesmo em contextos de tensão. É nesse plano que se decide se uma comunidade se fortalece ou fragmenta.

Desde a sua fundação, o Rotary assumiu a paz como um compromisso que se vive na prática, através do contacto humano, da cooperação e da criação de pontes entre pessoas e povos. Grande parte desse esforço acontece longe dos holofotes, em projetos locais e relações duradouras.

Compreender a paz desta forma obriga a ir além das imagens de guerra e a perguntar como se constrói, no tempo e nas decisões concretas, aquilo que permite às sociedades manterem-se coesas.

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