
Pensar a paz como uma construção leva-nos, inevitavelmente, à questão do método. Nada do que se mantém no tempo resulta apenas de boas e vagas intenções. Sempre que sociedades conseguiram ultrapassar conflitos prolongados, foram necessários processos muito consistentes, compromissos difíceis e liderança responsável. A história é clara nesse ponto.
A paz é possível quando existem regras partilhadas, canais de comunicação e um mínimo de confiança entre pessoas e comunidades. Não surge da imposição nem da negação dos conflitos. Pelo contrário, ganha força quando as divergências são reconhecidas e tratadas de forma construtiva. O conflito deixa de significar, forçosamente, a rutura e passa a integrar um processo de ajustamento.
Neste contexto, o papel das instituições é decisivo. Onde existem exclusão persistente, arbitrariedade, preconceitos ou desigualdades profundas, a tensão acumula-se. Se, por outro lado, existir justiça acessível, transparência e previsibilidade, a violência tende a desaparecer. A paz exige, por isso, escolhas políticas responsáveis e uma cultura cívica assente na ética.
O Rotary International tem demonstrado, ao longo do tempo, que esta construção se faz através de ações continuadas. Programas de intercâmbio, Centros Rotary pela Paz, bolsas académicas, projetos humanitários e parcerias entre comunidades mostram como o contacto direto reduz os preconceitos e aproxima realidades distintas. Quando começamos a conhecer o outro, o medo desaparece.
O diálogo ocupa um lugar central. Nada tem a ver com unanimidade, abdicar de convicções ou procurar consensos artificiais. Trata-se de respeito, de reconhecer a legitimidade do outro e aceitar que as soluções duradouras raramente são unilaterais.
Num contexto internacional de crescente polarização, importa lembrar que a paz resulta de escolhas conscientes, feitas de forma persistente, tanto a nível coletivo como individual. É um trabalho contínuo, exigente e, muitas vezes, discreto.
Essa dimensão estrutural da paz só ganha consistência quando se traduz em comportamentos concretos, próximos das pessoas e das organizações onde participam.