Rotaract em movimento

EditoriaRotaractJuventude e Novas GeraçõesClubes em Ação3 semanas atrás16 Visualizações

Por Rúben Peres

2025 passou como uma rajada de vento, cheia de magia e união para o movimento rotário, repleta de projetos realizados, eventos organizados e de momentos de companheirismos para sempre recordar. Passámos por vários locais, entre os quais Mirandela, Sintra e Tavira, onde, para além de sessões de trabalho e atividades regionais, também nos foram proporcionados momentos de trocas entre os clubes e companheiros presentes.

E é em sintonia com este espírito de partilha, potenciado pela época natalícia e pelo desejo de mais um ano de sucesso do nosso movimento, que resolvemos partilhar alguns dos projetos realizados no nosso distrito ao longo deste ano que passou.

Uma escola diferente

“Deus sonha, o homem quer, a obra nasce”. É com estas palavras de Fernando Pessoa que introduzo este projeto especial.

Portugal é o 2º país da OCDE com maior desigualdade de oportunidades, refletindo-se diretamente no sucesso escolar. Para combater esta realidade, nasceu a Academia STEAMIES, um projeto do Rotaract Club de Gondomar.

Criado em 2022, por Márcia Alves e Sofia Teixeira, juntando o gosto pela área à vontade de fazer a diferença na comunidade gondomarense, o projeto foi desenvolvido e submetido para financiamento do Prémio IMPACT – Empreendedorismo Social e Ambiental promovido pela Fundação Manuel António da Mota e pela Academia Paul Harris do Distrito 1970 do Rotary, conquistando o primeiro lugar em 2023.

Depois de ano e meio de preparação, foram 5 dias de atividades dirigidas a crianças entre os 10 e 12 anos, em que cada um foi dedicado a uma área STEAM (ciência, tecnologia, engenharia, arte e matemática). Um dia normal desta Academia STEAMIES consiste numa pequena introdução teórica, uma grande experiência prática e por fim um projeto final, onde conseguem explorar a interligação entre diversas áreas.

É um projeto com o objetivo de mudar a forma como as crianças encaram a aprendizagem, que lhes mostra como podem aplicar o que aprendem na escola no mundo real e que lhes dá uma maior curiosidade, confiança e consciência. Desenvolvem as suas capacidades técnicas, de forma interativa, abrindo-lhes novas perspectivas, que lhes permitem descobrir o seu verdadeiro potencial.

Quem disse que diversão e solidariedade não se misturam?

O Rotaract Club de Torres Vedras tem vindo a desenvolver, ao longo dos últimos 9 anos, um evento durante o seu simbólico e vibrante Carnaval. E o que fazem eles? Juntam o útil ao agradável.

Todos sabemos o sentimento que um bom Carnaval nos desperta. Desfiles, disfarces, companheirismo e muita diversão. De forma a associar isto a uma causa, o clube organiza um Rally Tascas anual, cheio de jogos e desafios temáticos, revertendo parte do valor de inscrição a associações locais. Este ano a parceria foi com a APA de Torres Vedras, à qual foram doados 900kg de ração animal.

Uma experiência envolvente em que tanto participantes, como organizadores e comunidade local saem a ganhar.

Um novo guardião para a floresta?

Apoiado pelos fundos do prémio IMPACT (já referido anteriormente), o Rotaract Club da Covilhã realizou o evento “Serra Viva”.

Este evento dedicou-se à valorização da natureza e ao fortalecimento do espírito comunitário. O dia iniciou-se com uma ação de intervenção florestal na Serra da Estrela, reafirmando o compromisso do grupo com a preservação ambiental. Após esse momento, algo marcante aconteceu. “Alma”, uma coruja reabilitada, foi libertada para a natureza, simbolizando a importância da proteção da vida selvagem e o impacto positivo da intervenção humana consciente.

Para encerrar o dia, os participantes reuniram-se num jantar de convívio na Pousada da Juventude da Serra da Estrela, celebrando o trabalho realizado e reforçando os laços entre membros do clube e comunidade.

Outros projetos interessantes e replicáveis que assinalo são o Escape Room do Rotaract Club de Monção, como forma de angariação de fundos e ainda o podcast do Rotaract Club de Aveiro de nome “Profissionalmente Falando”, um projeto que convida jovens de várias áreas a falar sobre o seu trabalho.

Os projetos no Sapatinho

Aproveito para divulgar um pouco dos projetos de Natal de clubes de Interact e Rotaract que têm sido desenvolvidos em Portugal ao longo dos últimos anos. Inspiração vinda de ideias simples, replicáveis e impactantes.

Após analisar várias iniciativas, descobri três grandes linhas de ação: oferta de cabazes de Natal, ajuda a associações de proteção animal e ações solidárias dedicadas a crianças ou sem abrigos.

O mais comum é a distribuição de cabazes por famílias carenciadas. Apesar da sua simplicidade, que pode ir desde o estabelecimento de uma parceria com o Banco Alimentar, supermercados ou municípios, até angariações de fundos através de concertos solidários, não falta diversidade no formato dos projetos dos nossos clubes. Destaco o projeto apoiado pelo Rotaract Lisboa-Estrela que mobiliza toda a comunidade de forma ativa, incentivando as pessoas a oferecer um cabaz completo a uma família carenciada, chegando a apoiar mais de 160 famílias num só ano.

As associações de proteção animal são também uma prioridade para muitos clubes. Recolha de comida, areia, medicação ou mantas ou uma doação monetária fazem a diferença em várias organizações.

Nem todas as crianças têm possibilidade de festejar o Natal. Falta de condições económicas, problemas sociais e de saúde estão entre os principais fatores de impacto negativo nestas idades. Conforme já referido noutros projetos, a angariação de fundos é uma excelente possibilidade, que permite comprar roupas, brinquedos ou livros. Porque por vezes uma pequena ação é tudo o que basta para termos mais um sorriso nesta época.

Mas há projetos que merecem destaque especial, como o já icónico “Sê um Pai Natal”, que decorre há 11 anos no Distrito 1970, em que os clubes apadrinham uma criança, conhecem a sua história e preparam um presente útil, entregue pessoalmente durante uma visita. Uma iniciativa simples, emocional e profundamente transformadora.

Por último, destaque para 3 projetos mais “fora da caixa” dentro do nosso movimento, desde a angariação de fundos para um projeto internacional como o Interact Club de Abrantes a ações emocionais como os Interact e Rotaract Clubs de Monção, que se mascararam e distribuíram abraços por espaços comuns da vila.

São estes projetos que demonstram destreza, criatividade e solidariedade nas camadas mais jovens do movimento rotário. São estas inspirações e trocas constantes, esta vontade de deixar marca nas comunidades, que impulsionam a ação. Afinal, como entoa um lema rotário, há que “dar de si antes de pensar em si”.

FEIRA COM UM NOVO ROTARACT CLUB

O Distrito 1970 passou a contar com mais um clube Rotaract, com a constituição do Rotaract Club da Feira, um novo clube que recupera o nome e a herança do antigo Rotaract Club da Feira, fundado em 1986. A iniciativa partiu de Pedro Silva, do Rotary Club da Feira, que lançou o desafio a João Santos e Paulo Pinto para liderarem a criação de um novo grupo de jovens rotaractistas, dando início a um processo de mobilização desenvolvido ao longo dos meses seguintes.

O clube inicia a sua atividade com sete sócios fundadores, todos jovens ligados a diferentes áreas académicas e profissionais. João Santos, estudante de Enfermagem, com 22 anos, assume a presidência. Integram ainda o grupo Paulo Pinto, estudante de Marketing, Tiago Rocha, estudante de Engenharia Informática e Computação, Gonçalo Mata, estudante de Marketing Digital, Diogo Milheiro, estudante de Economia, Sofia Galão, estudante de Psicologia, todos com 19 anos, e Beatriz Vieira, estudante de Fisioterapia, com 23 anos.

A criação do clube resultou de um trabalho gradual de envolvimento de colegas e amigos que partilham os valores do Rotaract e a vontade de servir a comunidade. Desde o início, o grupo definiu áreas de intervenção prioritárias, com projetos de literacia dirigidos aos jovens, iniciativas de cariz social, incluindo voluntariado e angariação de alimentos, ações ligadas às artes manuais com impacto na motricidade de idosos e, numa fase futura, a ambição de recriar o Rock Feira, quando o clube estiver mais consolidado.

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